Casa do futuro pode ser iluminada com madeira bioluminescente


A crescente demanda das pessoas por materiais ecológicos e renováveis levou uma equipe de pesquisadores da Nova Zelândia e Suíça a buscar uma solução inovadora para iluminar e decorar as casas do futuro. O projeto, baseado em filmes de madeira bioluminescentes, pode se tornar uma alternativa econômica e sustentável para atender às necessidades de iluminação em residências e outros espaços internos, como afirma artigo publicado na American Chemical Society.

A iluminação interna certa pode ajudar a definir o clima de um ambiente: romântico, suave, estimulante, soturno – as possibilidades são inúmeras. O problema é que alguns materiais usados para iluminar espaços não são nada ecológicos, como os plásticos. Em busca de uma alternativa funcional e eco-friendly, os pesquisadores desenvolveram um filme de madeira de base ecológica, luminescente e resistente à água, que poderá ser usado no futuro como painel de cobertura para lâmpadas, monitores e dispositivos a laser.

Os materiais bioluminescentes são capazes de absorver a energia do meio ambiente e transmiti-la para o exterior na forma de luz visível. O fenômeno acontece a partir de transições eletrônicas que ocorrem na estrutura e produzem fótons. Esses materiais têm grande potencial para o futuro, considerando a economia de energia e os benefícios ambientais que acarretam. No entanto, eles ainda precisam superar algumas limitações quanto à funcionalidade.

Muitos materiais desenvolvidos até o momento apresentaram desvantagens, como propriedades mecânicas fracas, iluminação irregular, falta de resistência à água ou a necessidade de uma matriz de polímero à base de petróleo. Por isso, os pesquisadores procuraram desenvolver uma alternativa que superasse essas limitações. O filme de madeira de base biológica combina eficiência e sustentabilidade, como descreve o artigo publicado na ACS Nano.

Madeira bioluminescente: uma nova solução
Para superar essas armadilhas, a equipe de especialistas escolheu a madeira balsa. Eles aplicaram um tratamento que permitiu destacar sua porosidade e eliminar componentes indesejados, como a lignina. Mais tarde, incorporaram uma solução que contém pontos quânticos, nanopartículas semicondutoras que brilham em determinada cor quando estimuladas com luz ultravioleta (UV). Para finalizar, foi adicionado um revestimento hidrofóbico que garante a resistência à água dos filmes.

Como resultado, a equipe obteve uma película de madeira densa e resistente à água, que apresenta excelentes propriedades mecânicas. Quando a luz ultravioleta foi aplicada, os pontos quânticos incorporados emitiram uma luz laranja regular, que se mostrou eficaz na criação de um painel luminescente para iluminar o interior de uma pequena casa de brinquedo. Os especialistas destacaram que diferentes tipos de pontos quânticos podem ser aplicados aos filmes de madeira, buscando soluções de luz com múltiplas alternativas em termos de cores e tons.

Ao manipularem a complexa composição da madeira, os cientistas demonstraram como ela pode ser transparente e até mesmo armazenar e liberar calor. Uma nova pesquisa está expandindo ainda mais as potencialidades da madeira tradicional, mostrando como ajustes em sua composição podem transformá-la em um filme resistente à água que emite um brilho quente na presença de luz ultravioleta.

Em relação às aplicações dessa inovação, os especialistas indicaram que o material de iluminação óptica sustentável pode ser atraente em projetos de interiores, por exemplo, em lâmpadas ou painéis laminados, bem como em ferramentas para fotônica e dispositivos a laser, entre outras possibilidades.

De acordo com os pesquisadores, pontos quânticos de diferentes variedades podem ser usados para criar luzes de cores diferentes. Eles imaginam que o filme será usado como cobertura decorativa para lâmpadas ou displays, oferecendo uma alternativa ecológica e de base biológica aos plásticos e outros materiais nocivos ao meio ambiente.

Fonte: E-cycle




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