A era da desinfecção pós-Covid-19


Nada será igual após a pandemia do COVID-19. Até recentemente, entendíamos um vírus como algo passageiro, embora 500.000 pessoas morram anualmente no mundo por vírus como norovírus e rotavírus na água. Com esta pandemia, aprendemos mais do que nunca como é vital lavar as mãos com água e sabão. Os processos convencionais de tratamento de água e efluentes removem vírus com grande eficiência, mas não todos. É por isso que, nesta nova normalidade, devemos pensar em conjunto com aqueles que têm responsabilidades pelo nosso direito à água potável.

As doenças transmitidas pela água são disseminadas pela contaminação dos sistemas de água potável com urina e fezes, tanto de animais quanto de pessoas infectadas. A desinfecção da água consiste em reduzir os patógenos presentes no suprimento de água e impedi-los de crescer novamente nos sistemas de distribuição.

Os processos de desinfecção são utilizados para impedir o crescimento de organismos patogênicos e proteger a saúde pública. Sem desinfecção, o risco de doenças transmitidas pela água aumenta. No caso de eliminar 100% desses microrganismos, falamos de esterilização. Muitas vezes, o termo desinfecção é confundido com esterilização.

Economia
Como mencionei, nada será o mesmo após a pandemia do COVID-19. Pandemias faziam parte da história. Deixávamos toda a responsabilidade nas vacinas para cobrir todo o espectro de vírus e, se houvesse um problema, a medicina o solucionaria. Hoje aprendemos que os vírus existem e podem afetar não apenas nossa saúde, mas também nossa economia.

Ninguém imaginou que o aparecimento de um vírus pudesse complicar as maiores redes de restaurantes do mundo, a maioria das companhias aéreas, eventos públicos e fechar parques de diversões, como um que nem sequer havia fechado ante furacões. Isso deve ser levado em consideração nos planos de governos para investimentos futuros em água e saneamento, além da saúde.

É verdade que os processos convencionais de tratamento de água e efluentes que incluem filtração e desinfecção com cloro removem efetivamente vírus, incluindo coronavírus e bactérias. Mas nem todos esses patógenos são tão sensíveis ao cloro como os vírus sem cobertura transmitidos pela água, como adenovírus, norovírus, rotavírus e hepatite A.

Os processos convencionais de tratamento de água e os regulamentos atuais, com mais de 50 anos de uso, têm sido fundamentais para o desenvolvimento da humanidade. Hoje, devido ao impacto no meio ambiente são muito mais decisivos e seus efeitos colaterais menos desejados, precisamos de novas tecnologias que validem esses processos, e que sejam mais amigáveis ​​ao meio ambiente.

Purificação e desinfecção da água
Atualmente, existem tecnologias de purificação e desinfecção da água, como a ultrafiltração, que podem reter partículas do tamanho de mícrons (até 0,01 mícrons), removendo 99,9999% das bactérias e 99,99% dos vírus, incluindo a coagulação e a remoção do arsênico, um problema sério na Argentina e em todo o mundo. Empresas como Dupont (EUA), LG (Coréia do Sul) e Toray (Japão) desenvolvem com sucesso a tecnologia há mais de 30 anos. Seu custo de investimento é semelhante ao das plantas convencionais e de operação é muito menor devido ao menor consumo de produtos químicos. O Brasil padronizou esta tecnologia para o tratamento de água potável, e hoje cidades como Brasília e São Paulo têm esta biossegurança. Na Argentina, existem plantas industriais suficientes por mais de 10 anos. Esta tecnologia também é amplamente utilizada no reúso de efluentes.

Outra tecnologia com grande potencial nos próximos anos será, sem dúvida, a radiação ultravioleta, um dos métodos mais eficazes para matar vírus e bactérias. Os raios ultravioletas (UV) penetram patógenos nocivos na água e destroem microrganismos causadores de doenças, atacando seu núcleo genético (DNA). Isso é extremamente eficiente na eliminação de sua reprodução. A desinfecção de água e efluentes com luz ultravioleta é excepcionalmente simples, eficaz e segura para o meio ambiente. O diretor para a América Latina da Atlantium Ultraviolet de Israel, Dr. Daniel Waitman, menciona que a tecnologia tem sido amplamente utilizada em sistemas de água e efluentes nos últimos 40-50 anos em todo o mundo e evoluiu garantindo resultados validados por entidades reguladoras da água em todo o mundo.

Tivemos a primeira lição sobre a importância da desinfecção, prova que ainda não superamos. Percebemos que um vírus que é abatido em boa parte lavando as mãos com água e sabão, pode parar um terço do planeta e que a educação é tão importante quanto uma solução vital, pois não sabíamos nem como higienizar adequadamente nossas mãos. Este aprendizado deve ser estendido. Devemos levar este exemplo aos nossos processos de tratamento de água e efluentes, repensar e validá-los corretamente. Nesta nova era, nosso futuro depende disso.

Fonte: Portal Tratamento de Água




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