Cápsulas de fertilizante feitas com gás carbônico reduzem impacto ambiental


Apontado como um dos principais responsáveis pelo efeito estufa, o gás carbônico emitido por indústrias pode voltar à cadeia produtiva. Pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) desenvolveram uma solução que usa o CO2 liberado por termoelétricas como matéria-prima na produção de agroquímicos. Combinado com um polímero natural, ele se transforma em nanocápsulas capazes de liberar o seu conteúdo — fertilizantes e antibióticos, por exemplo — de forma mais estratégica.

Coordenador do projeto, Sílvio Vaz Jr. explica que, com a solução, é possível ter mais controle sobre a liberação de agroquímicos. Dessa forma, pode-se aumentar a eficácia de aplicação dessas substâncias em plantações e animais e reduzir a poluição ambiental. “Tecnologias como a liberação controlada de agroquímicos podem contribuir para a redução da quantidade de agroquímicos e otimizar o uso, o que é benéfico ao meio ambiente e à saúde da população brasileira”, ressalta o também doutor em química analítica pela Universidade de São Paulo (USP) e pesquisador da Embrapa Agroenergia.

A partir de estudos prévios em laboratórios e em campo durante 2015 e 2016, a equipe da Embrapa optou pelo desenvolvimento de formulações compostas por três elementos: nanocarbonatos, lignina e um agroquímico de interesse. Os nanocarbonatos são obtidos a partir do gás carbônico emitido por termoelétricas e têm a função de fixar o agroquímico. A lignina, polímero natural presente em plantas, é adquirida do processamento da indústria de papel e celulose. No processo, funciona como aditivo para melhorar a fixação do produto que ficará dentro das nanocápsulas.

Juntos, nanocarbonatos e lignina dão origem aos nanossuportes que envolverão o agroquímico. Segundo os criadores, as cápsulas nanométricas também servem para envolver medicamentos veterinários e semioquímicos — substância envolvida na comunicação entre seres vivos, como insetos, e utilizada em manejo de pragas.

Para Paulo César de Morais, professor do Instituto de Física da Universidade de Brasília (UnB), a proposta dos pesquisadores da Embrapa abre um nicho enorme de oportunidade, contemplando uma cadeia com vários pontos relevantes. “Primeiro, a redução da emissão de gás carbônico na atmosfera, com impacto positivo ao meio ambiente. Segundo, a destinação do poluente, o gás carbônico, na fabricação de materiais nobres, ou seja, matrizes materiais nanoestruturadas. Terceiro, o uso dos materiais nanoestruturados produzidos em inovações de alto impacto para a agropecuária brasileira”, lista.

Fonte: https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/tecnologia/2019/05/14/interna_tecnologia,754907/capsulas-de-fertilizante-feitas-com-gas-carbonico-reduzem-impacto-ambi.shtml




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